A Vida Feliz

Outono de 386, precisamente, 13 de novembro, data do 32º aniversário de Agostinho. Reunido com seus amigos e discípulos: Alípio, Licencio, Trigésio, seu irmão Navígio, seu filho Adeodato e sua mãe Mônica, na chácara cedida por seu amigo Verecundo, em Cassicíaco, Agostinho conduzirá um diálogo em torno de um tema clássico e fundamental para a Antiguidade: a felicidade. Desse três dias de diálogo nasceu a obra, A Vida Feliz.

 

 

Para melhor informação sobre esta obra, deixemos falar o próprio Agostinho:

 

Começando por ocasião do aniversário de meu nascimento, foi terminado após três dias de discussão, como está bem indicado aí. Nesse livro (A Vida Feliz) concordamos que  prosseguíamos juntos a busca – que não há vida feliz a não ser no perfeito conhecimento de Deus.

 

Alguns trechos da obra:

 

Só quem possui a Deus é feliz

 

– estamos convencidos de que, se alguém quiser ser feliz, deverá procurar um bem permanente, que não lhe possa ser retirado em algum revés de sorte.

 

Quem possui a Deus?

 

Licencio opinou:

 

– Possui a Deus quem vive bem.

– Possui a Deus quem faz o que Deus quer que se faça, disse Trigésio

 

Adeodato, o mais jovem de todos sugeriu:

 

– Possui a Deus quem não tem em si o espírito imundo.

 

– Por conseguinte, chegas a estas distinções: todo o que encontrou Deus e o tem benévolo é feliz. Todo o que ainda busca a Deus tem-no benévolo, mas ainda não é feliz. E, enfim, todo o que se afasta de Deus, por seus vícios e pecados, não somente não é feliz, mas sequer goza da benevolência de Deus.

 

A perfeita plenitude das almas, a qual torna a vida feliz, consiste em conhecer piedosa e perfeitamente:

 

– por quem somos guiados até a Verdade (o Pai);

– de qual Verdade gozamos (o Filho);

– e por qual vínculo estamos unidos à Suma Medida (o Espírito Santo).

 

Fonte:

Coleção Patrística –  Santo Agostinho: A Vida Feliz. São Paulo: Editora Paulus 1998.