História

No início da década de 1950, a Vila das Mercês era mais conhecida como “Vila dos Quarenta”, devida à construção de um grupo de casas (12 no total), na década anterior, pelo político e proprietário da loja de calçados “Quá-Quá Quarenta”, Sr. André Nunes. (1)


O bairro não possuía nenhum melhoramento do tipo energia elétrica, água encanada, esgoto e asfalto. A linha de ônibus era precaríssima, apenas três veículos faziam a ligação com o Ipiranga e centro da cidade.


As famílias, com um grau elevado de religiosidade, já se esmeravam nos ofícios da fé cristã, reunindo-se nas casas para a reza do terço.


Em 1952, Dom Paulo Rolim Loureiro, bispo auxiliar e vigário da Arquidiocese de São Paulo, solicitou ao diretor do Seminário Central de São Paulo que desse um atendimento à população de Vila das Mercês, cujo crescimento populacional se fazia de forma mais intensa.


Com a colaboração dos moradores locais, os seminaristas fundaram em 30/10/1952, o primeiro Centro Catequético Dominical, sob o nome de “Pio X”, sendo dirigido pelo minorista Demóstenes Pontes e tendo como sede a Escola Fundamental Maria Aparecida do Prof. José Maurício Borges de Freitas


No ano seguinte, em 28/02/1953, outro grupo de seminaristas fundou o segundo centro catequético de nome de “São Paulo Apóstolo”, sendo dirigido pelo diácono José Milaré Sobrinho, cuja sede definitiva foi o estábulo de propriedade do Sr. Agostinho Antônio Miele, entre as atuais ruas Vitor Emanuel e Simão Lopes.


Com o trabalho intenso dos seminaristas, a efetiva participação dos moradores da vila e o interesse demonstrado por D. Paulo, fortificou-se a idéia de fundar uma nova paróquia


Como a formação de uma nova paróquia estava nos planos da Arquidiocese de São Paulo, o Cardeal de São Paulo, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, assinou o documento histórico, em 29/06/1953, criando a Paróquia de Nossa Senhora das Mercês, a qual foi desmembrada da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus do Bosque da Saúde.


Após ter visitado pessoalmente os dois núcleos catequéticos, D. Paulo Rolim Loureiro constituiu a 1ª Comissão destinada a preparar a fundação da paróquia, sendo a primeira reunião pró-paróquia realizada na casa do Sr. Antônio Leite e Josephina Pizzo Leite, sita à rua Rádio Record, nº 11 (atual rua Ubaitaba, 93).


A primeira missa celebrada na Vila das Mercês foi presidida por D. Paulo Rolim Loureiro aos 27/09/1953, no galpão cedido pelo Sr. César Impiglia (hoje Condomínio Mirante dos Pássaros); o endereço da época era Estrada do Curral Pequeno (atual Av. Pe. Arlindo Vieira).


No dia 07/11/1953, Dom Paulo Rolim Loureiro benzia e colocava a primeira pedra fundamental da capela provisória de Nossa Senhora das Mercês num terreno da Mitra Arquidiocesana de São Paulo.


A pedido do Cardeal Mota, o Padre Bernardo José Bueno Miele, já exercendo uma ação pastoral na região, foi encarregado de coordenar as atividades, visando oferecer as condições necessárias para a fundação da paróquia, passando a celebrar missas dominicais a partir de 10/08/1954, até a chegada dos padres mercedários.


A cerimônia de instalação canônica foi realizada no dia 14/11/1954, na rua Santa Cruz, 23 (atual rua Marquês de Lages, 1230), primeira casa paroquial dos padres mercedários. A missa de posse foi presidida pelo Cônego José Lafaiete Álvares, chanceler do arcebispado. Era dia de São Serapião e os padres mercedários presentes eram Amadeo González Ferreiros e José Vázquez Díaz.


Com a posse dos mercedários, passou-se a trabalhar no projeto e edificação de um templo em terreno cedido pela Mitra Arquidiocesana de São Paulo. Em dezembro de 1957 tiveram início as obras de terraplenagem, sendo que toda ajuda financeira era obtida através de listas, quermesses, doações e prescrições mensais, cuja coleta era feita pelo Frei Manuel Santiago Medina Sánchez.


A população respondeu aos apelos, dentro suas limitações, não deixando que as obras sofressem solução de continuidade. E foi nesse clima dos trabalhos acelerados que em 27/09/1959 a igreja de Nossa Senhora das Mercês era inaugurada com a bênção solene de Dom Paulo Rolim Loureiro, seguida da celebração da primeira missa, presidida pelo mesmo.


Em paralelo às obras de construção e acabamento da igreja, a devoção à Virgem das Mercês era ensinada e praticada pelos mercedários. Eram tempos de Cruzada Eucarística Infantil, Congregados Marianos, Pia União das Filhas de Maria, Apostolado da Oração e Confraria das Mercês. Muitos leigos se destacaram nas ações religiosas, colaborando sobremaneira na espiritualidade da comunidade.


Com o crescimento populacional, houve a necessidade de criação de comunidades, para melhor atender aos paroquianos; assim sendo, na década de 60 surgiram as Comunidades Sagrado Coração de Jesus e Santa Paulina – o último nome agregado em 2002, após a canonização de Madre Paulina – e São João Batista. Posteriormente, em 1978, foi fundada a Comunidade São Lourenço.


Uma outra decisão da Ordem Mercedária, que engrandeceu piamente a comunidade paroquial, foi a vinda do Seminário Maior para São Paulo em 1975. Como o trabalho vocacional foi e continua intenso, muitos seminaristas foram ordenados padres e permanecem fiéis no trabalho de evangelização.


Não podemos deixar de citar as atuações das “Irmãzinhas da Imaculada Conceição”, desde que aqui chegaram, praticamente junto com os mercedários. O trabalho catequético chegou a ser elogiado, por escrito, pelo Pe. José Cid, em 1963. Também agradecemos a dedicação das “Irmãs Servas de Maria” da Ordem dos Servitas que aqui chegaram em 1981 e exerceram uma brilhante atividade social junto às favelas por um longo tempo, na comunidade Sagrado Coração de Jesus.


No aspecto social, outra preocupação dos mercedários, tivemos o funcionamento do Posto de Saúde em 1958, os trabalhos junto às favelas com as Damas de Caridade, Legião de Maria e os Vicentinos.


A Creche N. S. das Mercês, fundada em 1985, é um projeto que se mantém fiel aos seus propósitos, dando assistência ao menor carente e direcionando-o para cursos profissionalizantes. Foram essenciais nesse projeto os padres José Miguel Vázquez e Elias Ortiz Fernández, com a continuidade do pároco, Frei José Maria Mohomed Jr.


Outro empreendimento nobre e de vital importância foi a fundação da Escola Nossa Senhora das Mercês em 1962. Até então, uma escola não tinha a conotação de empresa, como atualmente. Foi um trabalho social que veio ao encontro das aspirações dos habitantes da vila, uma vez que a escola pública da época era incapaz de atender a todas as crianças da região. A Escola conseguiu funcionar e se manter graças aos ideais de algumas pessoas que não mediram esforços para levar avante um projeto tão dignificante.


Um preito de gratidão a todas as pessoas de saudosa memória que participaram e propiciaram a construção desta realidade que é hoje a nossa paróquia. Impossível relacioná-los neste pequeno espaço, mas estamos certos de que seus nomes estão escritos no livro de Deus.


(Fonte: documentos da igreja e pesquisa com pessoas que vivenciaram os fatos – 2004)

 

 

  1. A loja de calçados “Quá-Quá Quarenta” não existiu no bairro.


A vila de 12 casas foi construída contornando a atual Praça André Nunes (locais onde estão o Banco Santander, Supermercado A+, Caixa Econômica Federal e entrando uma quadra na Rua Ubaitaba). Essa vila de casas ficou conhecida como Vila Quá-Quá, e permanece até hoje.